11 contra 11 e no fim já não ganha a Alemanha.

O que se passa Jesus?

Olhando para a temporada passada e vendo que os ataques ferozes de Jorge Jesus ao Benfica foram infrutíferos, julguei que nesta temporada, o treinador do clube de Alvalade estaria mais calmo, controlado na escolha de palavras nomeadamente nas conferências de imprensa e focado no seu clube. Há que ser inteligente no que toca ao futebol e estava com esperança que Jesus o fosse - erro meu – começo a acreditar quando se diz que “burro velho não aprende línguas”.
Este ano Jesus deixou de criticar o Benfica, o que já é um avanço mas não se focou em analisar os jogos que tinha pela frente, isto é o adversário, nas conferências de imprensa. Deu antes grande relevância ao facto dos jogadores (Slimani e João Mário) terem saído do Sporting por valores elevados em relação ao panorama de anos anteriores e afirma que este facto se deveu a si como grande treinador.
Como adepto de futebol que acompanhou o trajeto de Jesus desde o tempo em que treinava o Estrela da Amadora, sempre me lembro de Jorge Jesus como um treinador versátil em termos futebolísticos, que sabia adaptar o plantel às suas ideias mesmo “inventando” posições para jogadores, como foi o caso do Coentrão no Benfica. No entanto, nesta temporada, considero que Jesus exagerou nas suas “invenções”.
Toda a gente conhecia o lado inovador do treinador, mas este ano foi um exagero:
Com Jesus, Bruno Cesar já foi extremo, lateral e médio centro, onde será que o vai por a seguir?
Markovic que é conhecido por ser um extremo rápido, com bom drible e uma boa qualidade de cruzamento foi transformado num segundo avançado e, na maior parte do tempo, parece perdido em campo.
Brian Ruiz, que o ano passado se destacava com classe nos relvados, este ano parece completamente alheio ao que o treinador pretende.
E para colmatar, Jorge Jesus quando diz que a equipa ainda não assimilou as suas ideias, demonstra uma inseguridade em relação ao seu próprio plantel, o que não é a atitude correta de um treinador que teve à sua disposição grandes reforços.
Um dos exemplos mais recentes de que algo está errado com o treinador Jorge Jesus e a sua equipa são os seis pontos perdidos nas últimas três jornadas: Não conseguiu manter a vantagem de três golos frente ao Guimarães – o que era atípico no Sporting da época anterior. É incompreensível que em Alvalade, frente ao Tondela, a equipa Leonina não tenha sido mais inventiva e eficaz para “derrubar a muralha” defensiva do Tondela.
Bas Dost jogou demasiado tempo sem um colega de equipa próximo para criar situações de perigo para a defesa contrária; Esta situação acontece porque nenhum dos jogadores leoninos utilizados como segundos pontas de lança consegue interiorizar as ideias de Jesus.
No jogo frente ao Nacional, William falhou um penalti aos oito minutos mas situações destas não comprometem um resultado final abonatório para os leões, tem de haver um esforço de esquipa para vencer a partida, o que não me pareceu acontecer. Não compreendo a última substituição do Sporting quando no banco se encontram outras soluções ofensivas, como é exemplo do Castaignos, que dinamiza a equipa e ajuda a “quebrar o nulo”. No entanto, Jesus optou pelo lado conservador, escolhendo Elias para jogar a médio-centro, recuando Bruno César para defesa esquerdo e retirando Zeegelaar. Mas manteve o mesmo sistema tático que não estava a ser eficaz contra a defesa do Nacional.
Se na maior parte das situações me identifico com Jesus em aspectos táticos, nesta fase da temporada é muito difícil concordar com as suas opções e declarações.


Cabe a Jorge Jesus demonstrar que ainda consegue recuperar esta época, apesar dos sete pontos perdidos, e revitalizar a alma dos jogadores e a esperança dos adeptos.

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