Merecias mais Patrício.

JÁ JOGASTE FUTEBOL HOJE?


Uma pergunta se põe, em que pode ser questionável a objetividade da mesma. Vou então explicar o porquê de querer lançar esta pergunta…

Nos dias de hoje, as crianças nascem já com um telemóvel nas mãos e as suas brincadeiras resumem-se a joguinhos virtuais em que o movimento mais complexo que têm de fazer é mexer o dedo polegar para cima e para baixo. Já não existe aquele espírito universal do jogo de Champions, no estádio “Rua de Paralelo” em que o retângulo de jogo tinha 7mx30m, uma baliza (em que um dos postes era um poste de eletricidade e o outro era a continuação de um muro). E era neste contexto que eram desenvolvidas, inconscientemente, capacidades técnicas e físicas para esta modalidade, com todas as variantes e condicionantes que o estádio “Rua de Paralelo” impunha. Se os miúdos desta geração já têm algum gosto pela modalidade, o bichinho da bola iria ser muito maior se tivessem neles essas vivências mais inerentes nos seus “momentos de brincadeira”.

Lembro-me perfeitamente de em miúdo quando ia para um aniversário em casa de alguém, as minhas preocupações serem arranjar maneira de levar um calçado para poder jogar à bola e esperar que a minha mãe não me quisesse fazer calçar um sapato mais recente ou sandália para ir bonito e não poder “brincar” à vontade. Começava logo a imaginar… “Ora bem, na casa do Joninhas, o campo pode ser naquele espacinho perto do baloiço em que tem a palmeira e a relva, que LUXO”! Era incrível, passávamos a tarde a jogar e só se parava para lanchar e cantar os parabéns. Em casa da minha avó, quantos não foram os sermões que eu e os meus primos ouvimos porque partíamos o caixote do lixo com aquele “remate colocado”. Quantas vezes improvisávamos e criávamos brincadeiras como quem criava novos exercícios para melhorar em certos aspetos do nosso desempenho. Sempre tive o bicho pelo futebol, fruto da minha infância e das “nossas” brincadeiras.

As novas tecnologias são muito importantes e convém as gerações futuras também serem boas nessas áreas. Mas o grande problema, é que a maioria não as usa no sentido mais correto. As novas tecnologias neste momento, em vez de serem usadas no âmbito da descoberta e da exploração das mesmas, são usadas maioritariamente para passar o tempo livre nos joguinhos, sem se poder contar com o chamado “convívio” e exploração de algo que seja útil fisicamente, tecnicamente ou cognitivamente. 

Lá na minha terra, em Freamunde, existe um bairro chamado de “Bairro do Outeiro”. No centro deste bairro, existe um ringue de futebol com piso em cimento que sempre contou com a presença e alegria dos mais novos. Quantas finais de Champions já foram feitas naquele ringue… E a verdade é que aquele bairro, para o pessoal de Freamunde, começou a ganhar a fama de “mini academia de talentos”. Era impressionante a forma como jogavam e muitos deles ainda jogam… E não tenham dúvidas que muito lhes deu aquele ringue! Alegria, companheirismo e aquisição de capacidades. É o verdadeiro futebol de rua. E que importante ele é para a “formação de um atleta” e como ele faz falta nos dias de hoje. Não precisamos de pensar muito, mas quantos exemplos temos de grandes jogadores de futebol que vieram desses “ringues” ou estádios “Rua de Paralelo”!  Por algum motivo é…


Que voltem as brincadeiras de outros tempos… O futebol agradece!

Texto de Nautilio Ribeiro.

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